sexta-feira, 14 de abril de 2017

Aquele da mandala improvisada


A ideia era fazer uma mandala. Daquelas bem bonitas, com as linhas entrelaçadas de forma harmoniosa, usando cores que representavam todos os pensamentos e energias positivas que deviam emanar de nosso interior junto com as expectativas do novo ano.
Eu até tentei seguir à risca todo o processo no início, mas tenho que admitir que aquilo virou uma bagunça. De repente, as linhas não estavam mais tão alinhadas de forma harmoniosa como estavam no início, e depois de um tempo já cansada de tentar fazer tudo ficar perfeito, eu comecei a passar a linha uma em cima da outra, pra ver no que ia dar.
Eu estava improvisando. 
E não é isso mesmo que a gente faz a vida toda? Improvisa?
Não estou tentando adotar o discurso de que "a vida é um show e blá blá blá". Longe disso. Mas é engraçado pensar que nossos planos nem sempre saem da maneira como imaginamos. Ás vezes eles saem o oposto do que gostaríamos, vão ladeira à baixo. Outras, até que tá quase lá, mas a gente vê que mesmo que ele chegue LÁ - seja lá onde isso fique - não é tão bom quanto achávamos que seria.
Fazer planos é importante, lógico. Pra começo de conversa, nos dá uma luz do caminho que devemos trilhar pra chegar aos objetivos. Mas estar preparado para ver seus planos fracassarem é primordial para se chegar a algum lugar - mesmo que esse lugar não seja LÁ.
Vou te contar uma coisa louca. Ás vezes, coisas bem melhores acontecem longe dos nossos planos. E tem vezes que coisas ruins acabam acontecendo também, sejamos realistas. Mas as ruins podem muito bem ser parte da construção de uma estrutura muito mais sólida do seu caráter, que irá refletir positivamente no decorrer da sua vida. Você só precisa se permitir aprender alguma coisa no meio de todo esse caos em que a gente vive.
Minha mandala, como vocês podem imaginar, não ficou tão bonita quanto eu planejava. A bichinha era a mais 'diferente' no meio de todas aquelas penduradas. Mas a sua falta de perfeição se destacou tanto no meio de todo aquele carnaval de imitações que foi como se eu conseguisse vê-la refletir uma beleza audaciosa. 
Pelo menos pra mim. Gosto não se discute, não é mesmo?

Nenhum comentário: