sexta-feira, 5 de maio de 2017

Mulher de 24 anos


Eu tenho 24 anos. Passei metade da minha vida alisando o cabelo e acima do peso. Pelo mesmo período, fui de extremamente insegura para um moderado senso de segurança vez ou outra. 

Eu não conseguia correr 15 minutos sem me sentir prestes a morrer. Na escola, a ideia de desamarrar meu cabelo era uma total loucura e eu não seria tão ousada assim. Maquiagem então, sem chance!

Dizer para o cara que eu estava afim que gostava dele? Era mais fácil eu jogá-lo pra cima de alguma colega. 

Quando me adaptei a toda a loucura dos relacionamentos, conheci uma variedade de caras diferentes.

Vez ou outra me apaixonei - nunca pelo cara certo. Aliás, já me perguntei quem seria o cara certo mais vezes do que consigo contar. Já tive um montão de epifanias sobre as minhas más decisões e péssimos hábitos, mas menos mudanças efetivas do que eu gostaria.

Passei a maior parte da minha vida tentando ser quem as pessoas iriam gostar de ter ao lado, e me perdi. Eu me moldei ao padrão de tanta gente que nem me incomodei em descobrir qual era o meu. Quando finalmente descobri, gostei dele. 

É, eu gosto da mulher que vi no espelho esta manhã. Eu gosto do cabelo cacheado e bagunçado dela. Gosto da maneira como ela pensa dançar bem quando está sozinha. Gosto quando ela ri dos próprios pensamentos, e gosto da sua capacidade de reconhecer quando é hora de entrar em cena, e também quando é a hora de sair.

Eu gosto quando ela faz algo por si, como quando corre no finalzinho da tarde enquanto ouve alguma música dos anos 80, ou quando decide ir ao cinema sozinha porque ela quer. Ou de como se sente plena quando começa a escrever algo.

Mas eu ainda odeio quando ela tenta se tornar o molde de alguém só pra agradar. E quando ela passa dias fazendo isso, eu fico ansiosa esperando que caia logo na real e veja que os outros tem mais é que aceitá-la como ela é se quiserem sua companhia. E se não quiserem, o que é que tem?

Eu agora vejo em mim, esta jovem e bela mulher de 24 anos, um alguém em potencial. Os dias que se passam sempre trazem consigo uma história e uma lição diferente. E mesmo quando essas lições fazem o meu ego doer, elas vêm acompanhadas de valiosos momentos de autodescoberta.

Você vai conseguir reconhecê-los: É como quando você corta sua franja curta demais, ou quando percebe que aquele carinha talvez não esteja tão afim de você. 

Daí você segue em frente, viaja, espera a franja crescer. 

E a grande magia é que quanto mais você se conhece, mais enxerga o potencial guardado aí dentro. E mesmo que as outras pessoas possam não enxergá-lo, o importante é que você o vê.

Naturalmente, ele vai se refletir em algum momento.

A diferença é que agora não há pressa. 

Já pode se permitir ser feliz consigo mesma.

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